Manchas de café no arquivo

investigação sobre o exílio das *amakhosikazi* Dabondi, Muzamussi, Fussi, Maxaxa, Patihina, Namatuco e Xesipe

Maimuna Adam

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Fig.1: Captura de vídeo do caderno de esboços “Estudos para as Rainhas dos Mares” de Maimuna Adam: desenhos com café, pastel, caneta e marcador feitos no âmbito da pesquisa sobre Namatuco, Patihina, Muzamussi, Machacha, Xesipe, Dabondi e Fussi — as sete esposas do inkosi Gungunhana, capturadas pelas forças portuguesas em Chaimite em 1895 (2017–2021). As primeiras páginas mostram esboços feitos enquanto via “Chaimite” (realização de Jorge Brum do Canto, 1953). Video: Sketchbook studies for #QueensOfTheSeas #RainhasDosMares

Talvez a questão que mais me ocupa neste momento seja compreender quem escreve, em que qualidade e com que bagagem se apresenta. Não se trata de avaliar se determinados investigadores ou criadores são mais autênticos por pertencerem a um grupo ou a um espaço específicos, mas de discernir os filtros e preconceitos que atravessam o nosso pensamento e que, inevitavelmente, se refletem no próprio texto.

Procuro ver a minha investigação como um trabalho em constante processo, enquanto tento equilibrar a pesquisa com a criação artística “autêntica”. Uso aqui o termo “autêntica” no sentido mais imediato e que aprendi com o meu pai, historiador: experienciar a arte de modo a que ela nos toque e suscite uma reação emotiva em quem observa. Ou seja, o observador não deveria necessitar de preparação prévia, académica ou de qualquer outro tipo, para olhar a obra e senti-la—e, atrevo-me a dizer, compreendê-la.

Fig.2: Reprodução digital de um postal representando o inkosi Gungunhana e as suas sete esposas em Lourenço Marques, no início de 1896, antes da sua deportação para Lisboa. Fonte: Nhapulo, T. J., História – 12.º Ano, 2019. Plural Editores.*Online: https://www.researchgate.net/figure/Figura-8-O-imperador-Gungunhana-e-as-suas-mulheres-Fonte-De-Historia-12-classe-p\_fig7\_367825966

Ao entrar em contacto com a história de Gungunhana—desde a sua captura até ao exílio forçado na ilha Terceira—o que mais me marcou foi a aparente ausência de narrativas sobre as amakhosikazi[^1]: Namatuco, Patihina, Muzamussi, Machacha, Chlezipe, Fussi e Dabondi. Foi desanimador encontrar tão pouca informação documental sobre elas, tendo de me contentar com as poucas fotografias de grupo identificadas por outros investigadores[^2]. As poucas fotografias individuais destas mulheres ou não têm qualquer identificação, ou apresentam legendas como “predileta de Gungunhana”, o que abre espaço para especulações quanto à verdadeira identidade da mulher retratada e se se trata, ou não, de uma das mulheres que reaparece em fotografias de grupo. Convém assinalar que, para além das sete amakhosikazi referidas, faziam parte do grupo capturado e exilado em Portugal mais três mulheres — Pambane, Oxoca e Debeza, esposas de Nwamatibejana (Zixaxa). No entanto, neste momento, a investigação centra-se nas sete mulheres mencionadas inicialmente, uma vez que existem muito mais fotografias relativas a este grupo.

Fig.3: “Rainhas dos Mares - inkosikazi III”, 2018. Café e carvão sobre papel de aguarela, de Maimuna Adam.

A abordagem espiritual, entendida como uma atenção especial ao fluxo energético, tem sido a lente através da qual interpreto tudo o que me rodeia ultimamente. Este exercício tornou-se particularmente evidente ao recordar as inúmeras horas, desde 2018, dedicadas ao início deste projeto—momento em que comecei a reunir as raras imagens digitais das amakhosikazi, ainda que de baixa qualidade. Estas, mais a extensa investigação publicada por Maria da Conceição Vilhena em duas obras: Gungunhana no seu Reino e Gungunhana: grandeza e decadência de um império africanojuntam-se às narrativas literárias Ualalapi e As mulheres do Imperador de Ungulani Ba Ka Khosa, assim como Mulheres de Cinzas, A Espada e a Azagaia e O Bebedor de Horizontes de Mia Couto, e o filme Chaimite de Jorge Brum do Canto. Somam-se ainda as conversas diretas com várias pessoas, os relatos familiares, rumores e comentários públicos encontrados nas redes sociais sobre o exílio e a prisão de Gungunhana e do seu grupo nas ilhas Terceira e São Tomé, elementos determinantes para imaginar quem foram as amakhosikazi e compreender os caminhos que estas mulheres percorreram—de Moçambique a Lisboa e São Tomé, e, para algumas, o regresso em 1911.

Fig.4: “Rainhas dos Mares - inkosikazi IV”, 2018. 29.9 x 21.1 cm. Café e carvão sobre papel de aguarela, de Maimuna Adam.

O grão de café como fonte primária

Entretanto, tomei consciência do potencial do café como recurso material para pintar durante os meus estudos na Universidade de Pretória. Digo “consciência”, porque em retrospectiva, reconheço que esse despertar esteve sempre latente: ao longo da minha infância, observei frequentemente o meu pai—historiador e, agora, professor universitário reformado—a pintar e a rabiscar usando café e vinho durante sessões informais de desenho à mesa de jantar.

Durante a VI Bienal de Arte, em 2011, enquanto participava numa residência e exposição na Casa das Artes Criação Ambiente Utopias (CACAU), em São Tomé, aproximei-me ainda mais do potencial do grão enquanto material artístico, ao compreender o seu lugar na história do trabalho forçado e ‘contratado’ associado à sua circulação global. Nessa ocasião, criei uma instalação cujo elemento central era um vestido de noiva simples, costurado em algodão cru pelo alfaiate Abdulay Salvaterra, natural de São Tomé, e colocado dentro de um tacho, uma panela grande com café, emprestada por João Carlos Silva da Roça São João dos Angolares. Durante os primeiros dias da exposição, era possível observar o café a manchar lentamente o vestido–uma metáfora do ciclo de perda e reinvenção da identidade nos movimentos de migração e reassentamento.

O exílio das amakhosikazi em São Tomé acabou por relegá-las a uma zona obscura da história, dado que algumas poderão ter sido colocadas como domésticas nas casas de administradores coloniais, enquanto outras possivelmente passaram por situações de exploração sexual. Este contexto levou-me a perceber a importância da arte na contribuição do processo coletivo de (tentar apoiar à) reparação dos traumas que carregamos, enquanto africanas, no presente, sobretudo olhando para o seu poder de iluminar episódios e vivências pouco documentadas. A inexistência de registros materiais, como documentos que identifiquem diretamente as amakhosikazi ou detalhem suas características físicas, poderia levar à ideia de que o percurso dessas mulheres jamais seria recordado e acabaria, com o tempo, sendo totalmente esquecido. Ao procurar registar essa história, valendo-me de abordagens criativas e de recursos materiais que remetem à época em que essas mulheres viveram, procuro tanto estabelecer uma conexão simbólica com elas quanto imaginar sua presença e autonomia no tempo presente.

Sem analisar profundamente toda a história global do café, o simples facto de reconhecer que este produto teve grande importância económica até ao final do século XIX já o transforma num elemento material relevante para a narrativa do exílio das amakhosikazi. Utilizar café proveniente ou adquirido em São Tomé, Moçambique e Portugal acrescenta uma nova camada de significado a este trabalho: criar com café cultivado em terras onde as amakhosikazi pisaram, ainda que sem exactidão geográfica, é também contribuir para a escrita da sua história. Tenho plena consciência de que esta responsabilidade não é leve e admito que talvez não seja a pessoa mais indicada para este papel, mas assumo-a como J.M. Coetzee descreve, através da personagem Elizabeth Costello (1999) ser a responsabilidade da escritora: de agir como “secretária do invisível”.

Pintar com café é, assim, simultaneamente uma tentativa de ligação com o passado e um gesto de o transformar. Compreendo que a coexistência de diversas vozes e histórias—por vezes até contraditórias—implica a criação de espaços comuns, semelhantes à articulação entre elementos numa obra visual. Este processo é intencional; e ao realizá-lo, estou consciente de estar a formar um novo imaginário, destinado a aproximar experiências de outrora às do presente. Esse gesto enche-me de esperança, não só enquanto africana, mas também como mulher com raízes escandinavas e indianas. E estes são apenas alguns dos rótulos que como tantos outros, irão precisar de revisão, ampliação e reinvenção, a seu tempo.

Sendo a semente do cafeeiro, o grão de café assume para mim a função de testemunho directo de um produto com significativo valor económico para São Tomé e para as empresas portuguesas, ao mesmo tempo que funciona como um arquivo vivo, pois remete para uma planta mais antiga com provável origem noutras regiões, permitindo, pela imaginação, assumir-lhe memórias e vivências passadas. A utilização do café como material para pintura acrescenta ainda uma dimensão de fragilidade e de efemeridade à obra, características pouco apreciadas por museus e colecionadores devido ao impacto que podem ter na sua conservação e valorização material. Ao optar por apresentar estas obras em formato digital e como reproduções, procuro precisamente ultrapassar essa limitação inerente à técnica.

Fig.5: “Rainhas dos Mares - inkosikazi II”, 2018. 29.9 x 21.1 cm. Café e carvão sobre papel de aguarela, de Maimuna Adam.

As mulheres na sociedade moçambicana*

Ver as mulheres apenas como prolongamento das ações e dos interesses dos seus pais, irmãos e maridos é o mesmo que relegá-las a um papel de relevância menor, negligenciando a autonomia que detêm ou que detiveram. Contudo, isto não pressupõe desconsiderar as relações de poder ou de subalternidade experienciadas por muitas destas mulheres. No contexto em que eu cresci, à margem da comunidade muçulmana, houve momentos em que se tornou particularmente evidente a exclusão das mulheres da vida pública, especialmente durante as muitas horas dedicadas à preparação das refeições, muito cedo de manhã. Só depois de passar várias horas sentada num círculo de mulheres mais velhas, enquanto estas cortavam e enchiam grandes recipientes com legumes para o casamento de uma prima, compreendi que estes momentos tinham também o seu valor e, de certa forma, uma dimensão de poder, se é que posso fazer uso deste termo: eram ocasiões para conversar, trocar ideias e se calhar até partilhar informações importantes.

É com uma ideia de cooperação imaginada entre mulheres que tento revisitar um passado que sei ser complexo — um passado ao qual só posso ter acesso através de relatos, imagens e documentos. As mulheres que integravam a corte de Gungunhana, no império de Gaza, detinham certamente formas próprias de autoridade — algo particularmente evidente quando se considera o lugar social e político ocupado, por exemplo, pela figura da inkosikazi-mãe.

Tendo em conta que uma das principais motivações invocadas pelo governo português para mandar as amakhosikazi para o exílio, afastando-as do próprio Gungunhana, teria sido o facto de a poligamia ser considerada crime em Portugal.

Estas reflexões procuram dar visibilidade à complexidade de vida das amakhosikazi exiladas, ao mesmo tempo que tentam dar a conhecer o seu carácter profundamente humano—— vidas capazes de abarcar mais do que uma verdade contraditória ao mesmo tempo. De acordo com o que consegui apurar, as esposas de Gungunhana seriam provenientes de grupos distintos dos Nguni. O próprio método Nguni de conquista—deslocando grupos e utilizando-os para subjugar outros—acabaria por reforçar este paradoxo: enquanto povo conquistado, poderiam ser vistos como ‘vítimas’ na linguagem atual, mas, integrados na elite dominante, passariam a ser vistos como ‘perpetradores’.

Fig.6: “Rainhas dos Mares - inkosikazi V”, 2018. 29.9 x 21.1 cm. Café e carvão sobre papel de aguarela, de Maimuna Adam.

Sereias

Segundo diversos relatos, existe entre os Nguni um tabu quanto à proximidade de grandes extensões de água e ao próprio consumo de peixe. Sendo compreensível do ponto de vista lógico, dado que o seu modo de vida era baseado na posse de gado e de terras, este é um aspeto que me interessou transportar para o universo criativo.

As amakhosikazi que foram levadas para a ilha de São Tomé, separadas de Gungunhana. Eu pergunto-me: qual seria a sua relação pessoal, e individual, com o mar? Tendo em conta que nem todas eram Nguni, será que o mar representava coisas diferentes para cada uma, ou que o seu significado se foi transformando com o tempo? Nas minhas pinturas com café, faço referência a mitos e divindades de outras zonas de África e da diáspora, como Mami Wata da África Ocidental e do Atlântico Africano, e Iemanjá do Brasil—também conhecida como Yemoja, a deusa Yorubá do mar, da fertilidade e da maternidade.

Algumas mulheres morreram em São Tomé, enquanto outras conseguiram regressar, em 1911, aos territórios que viriam a formar Moçambique e África do Sul, após a morte de Gungunhana em 1906. Ao tentar imaginar o percurso das amakhosikazi e os seus deslocamentos, procuro igualmente identificar pontos de ligação, semelhança e diferença. Como se pode reconhecer a humanidade de quem é, simultaneamente, nosso antepassado e nosso inimigo? Ao convidar o público a uma reflexão genealógica, espero que este exercício possa suscitar conversas necessárias, sobretudo entre diferentes gerações. Como diz o adágio atribuído a Albert Einstein, “se queres olhar para o futuro, conhece o passado”. Por mais árdua ou vã que esta tentativa possa parecer, creio que no seu processo reside o potencial para revelar e expor como todos estamos ligados. Em palavras mais antigas, e em isiZulu: “Umuntu ngumuntu ngabantu” - “uma pessoa é pessoa através de outras pessoas”.

Fig.7: “Rainhas dos Mares - inkosikazi I”, 2018. 29.9 x 21.1 cm. Café e carvão sobre papel de aguarela, de Maimuna Adam.

Ao evocar os efeitos das teorias racistas e do colonialismo, é fundamental recordar a relevância de discutir estas questões em 2025. A falta de consciência acerca destes temas e sobre a história dos nossos povos compromete-nos ao risco de repetirmos erros do passado ou de perpetuarmos desigualdades e preconceitos mantidos ao longo do tempo. Neste contexto, defendo a importância de honrar e reconhecer os nossos antepassados, mas também de manter uma postura crítica e imparcial no que toca a membros da nossa linhagem familiar que estiveram associados a experiências de sofrimento, tanto para nós como para outros.

Fig.8: Captura de vídeo do processo de pintura de “Rainhas dos Mares - Retrato de uma inkosikazi?”, 2023, de Maimuna Adam. Video: Sketchbook studies for #QueensOfTheSeas #amakhosikaziDosMares

Imagino um universo onde, em vez dos homens que tradicionalmente assumiam o protagonismo — a menos que as amakhosikazi detivessem poder formal — são as amakhosikazi que ocupam o lugar central da narrativa. Repenso também o modo como podemos imaginar estas figuras, propondo vê-las como sereias, propositadamente questionando a crença que os povos Nguni defendiam a proibição de comer peixe e de se aventurar em águas profundas. Ao suscitar a imagem da sereia, não se pode ignorar o percurso desta figura mítica e o seu surgimento nas vivências marítimas de diferentes povos ao longo da história. Quer se interpretem estas criaturas como próximas das ‘sirenas’, quer se as veja como fruto da ilusão criada pela observação, à distância, de animais aquáticos como o peixe-boi ou o dugongo—cobertos de algas—percebe-se rapidamente como esta mitologia foi construída e ganhou ampla adesão.

Fig.9: “Rainhas dos Mares - Retrato de uma inkosikazi?”, café sobre papel de aguarela, 2023, de Maimuna Adam.

A possibilidade de habitar tanto o meio aquático como o terrestre reveste-se, para mim, de profundo simbolismo, sendo decisiva para as qualidades transformadoras das amakhosikazi-sereias que aqui interpreto recorrendo ao café. Ainda que estas amakhosikazi tivessem origens em diferentes culturas ou tribos, o casamento com Gungunhana integrou-as na elite dominante dos Nguni. A real dimensão da influência que exerceram nesse contexto permanece uma questão em aberto e sujeita apenas a conjecturas. Ao pensar sobre as suas trajetórias, considero que, para que estas amakhosikazi possam ser compreendidas e reconhecidas enquanto figuras próximas do público contemporâneo, seria necessário que revisitassem de forma crítica o papel que desempenharam.

Quando apresentadas como seres anfíbios, existindo entre terra e água, e situadas na confluência da história e do mito, espero que a narrativa das amakhosikazi pode ser invocada no presente como exemplo de uma jornada capaz de despertar empatia. Sugere ainda a possibilidade de reinterpretação de factos históricos ou de figuras, tanto por indivíduos como por comunidades. Explorar os desejos ignorados ou ocultos de cada inkosikazi permite ampliar o entendimento sobre a identidade feminina histórica, bem como perceber de que modo esta identidade pode adaptar-se e transformar-se ao longo dos tempos e em diversos contextos.

BibliographieBibliography +

Assubuji, R. (2020). Atlas de um Império: Narrativas Fotográficas e a Luta Visual por Moçambique. Kronos: Southern African Histories, vol. 46, n.º 1. Disponível em: https://scielo.org.za/pdf/kronos/v46n1/09.pdf

Ungulani Ba Ka Khosa. Gungunhana. Porto: Porto Editora, 2018.

Chaimite (1953). Realização de Jorge Brum do Canto. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=XcBXHvE2PUc

Coetzee, J. M. (1999). As Vidas dos Animais. Princeton: Princeton University Press.

Gaivão, António Mascarenhas. Mouzinho de Albuquerque. Lisboa: Oficina do Livro, 2008.

De Melo, Sandra. Gungunhana: Quando Portugal Raptou um Rei. Podcast CNN Portugal. Disponível em: https://cnnportugal.iol.pt/podcast/gungunhana/podcast-gungunhana-quando-portugal-raptou-um-rei/20241108/67260965d34ea1acf2702a8d

Linte, Guillaume. (2021). “Morier-Genoud, E. 2020. Convertir l’empereur? Journal du missionnaire et médecin Georges-Louis Liengme dans le Sud-Est africain, 1893–1895”. Lectures, janeiro de 2021. Disponível em: https://journals.openedition.org/lectures/46182

Nhapulo, T. J. História – 12.ª classe. Maputo: Plural Editores, 2019.

Vacha, A. (2021). “Iconografia de Gungunhana: representações do rei negro em Portugal (1890–1940)”. Práticas da História. Journal on Theory, Historiography and Uses of the Past, n.º 12, pp. 53–93. DOI: https://doi.org/10.48487/pdh.2021.n12.24950

Vilhena, Maria da Conceição. Gungunhana no seu Reino. Lisboa: Edições Colibri, 1996.

Vilhena, Maria da Conceição. “As Mulheres do Gungunhana”. Arquipélago: História, 2.ª série, vol. III (1999), pp. 407–415. Disponível em: https://repositorio.uac.pt/bitstream/10400.3/289/1/Maria_Vilhena_p407-415.pdf

Lista de recursos consultados até ao momento (fotografias de arquivo e pinturas com café): https://queensoftheseas.wordpress.com/

Maimuna Adam, nascida em Maputo em 1984, é uma artista visual moçambicana cuja produção se caracteriza pelo uso de técnicas mistas, abrangendo pintura, escultura em livros e vídeo-arte. A sua obra investiga temas como memória, migração e identidade, colocando experiências pessoais em diálogo com narrativas históricas mais vastas. Utiliza frequentemente materiais como café, papel artesanal e livros reutilizados como base para o desenvolvimento das suas criações. Adam formou-se em Belas-Artes pela Universidade de Pretória e divide sua prática artística entre Moçambique e o Reino Unido. Os seus projetos mais recentes abordam temas de exílio, nomeadamente o aprisionamento das amakhosikazi que, juntamente com Gungunhane, foram detidas e levadas para o exílio pelas forças coloniais portuguesas.